1968 -> 1978 – Patrulha da Esperança

1968 -> 1978 – Patrulha da Esperança

O Aeronáutico especial dos 10 anos do Grupo trazia uma novidade para os escoteiros: a nossa mascote Dumonzinho, uma criação do jovem Edison Mizukawa. Inspirado no mascote da marca japonesa de produtos fotográficos Yashica, Mizukawa desenhou o Dumonzinho com traços nipônicos e colocou nele o uniforme da época e a boina dos escoteiros do Ar. E desde então do Dumonzinho acompanha as atividades do Santos Dumont.

No início da década de 1980 o Dumonzinho passa a fazer parte do nosso lenço, sendo estampado na bolacha do grupo. Em 1982, ele vira estátua e começa a ser entregue a todos os membros do grupo que alcançam o grau máximo de formação no seu ramo, ou seja: Lobinho Cruzeiro do Sul, Escoteiro Lis de Ouro, Sênior Escoteiro da Pátria, Pioneiro Insígnia de BP e Escotista Insígnia da Madeira. E no fim dos anos 80, depois do início da coeducação no Santos Dumont – meninos e meninas escoteiros – o Dumonzinho ganha uma parceira, a Demoseille, também chamada de Dumonzinha.


Edson Mizukawa é o primeiro da direita para a esquerda, e foi o criador do Dumonzinho.

Edição comemorativa dos 10 anos do grupo com a estreia do Dumonzinho.

Voltando à história, os bons tempos do grupo não durariam muito. Em 1969 o grupo estava reduzido a poucos jovens e quase nenhum chefe presente às atividades. Havia uma pressão do SESC para saber quem eram os adultos responsáveis pelo grupo. O risco de fechar era grande. É nesse ambiente que os sêniores do Santos Dumont, motivados pelo então chefe de grupo, Sérgio Garret, assumem a direção das atividades e montam a Patrulha Esperança, com a liderança do jovem chefe João Ângelo Belotto, que praticamente ainda tinha a idade de Sênior.


Legenda da foto da Patrulha da Esperança: Nesta oportunidade o grupo se resumia a 14 elementos, 12 sêniores, o Chefe de Grupo Sérgio Almeida Garret e o Chefe Sênior João Ângelo Belotto. Este acampamento foi a nossa última esperança para reerguer o grupo e foi um sucesso! Participaram: Clóvis Bordim, Elson Pereira Magalhães, Arthur Iório, Paulo Homann, Adilson Otto, Almir Folador e Juarez Kintopp.

Nos dias 22 e 23 de março de 1969, a Patrulha Esperança fez um acampamento no bairro São Braz, naquele tempo mais um conjunto de chácaras e fazendolas que de residências, com o objetivo de discutir os problemas do Grupo e definir um plano de ação para evitar o seu fechamento. Foram dois dias de muito trabalho e conversa. E, ao retornarem para suas casas, todos sabiam o que fazer. Logo novos adultos foram convidados para assumir cargos de chefia e alguns pais emprestaram seus nomes para constar na lista de Diretores Executivos do grupo. Era mais um renascimento do Grupo. Um dos sêniores que participou da atividade, Elson Magalhães, mais tarde se tornaria Chefe do Grupo. Graças ao trabalho desses jovens, em 1970 o Santos Dumont voltou a ter escotistas em todas as seções e pode seguir em frente.


Em 1969, a Sênior já estava de volta às atividades.

João Belotto e Elson Magalhães, personagens fundamentais na história do GESD.

Bivaque de Tropa realizado em 07 de julho de 1971.

Novamente, os bons ventos pararam de soprar em 1972. No fim do ano, o SESC pede que o grupo se retire de suas instalações. Além de ficar sem sede, o Santos Dumont também fica sem equipamentos de campo, pois ele os usava emprestados do SESC. Felizmente, o trabalho iniciado pela Patrulha da Esperança e pelo então chefe Elson Magalhães já tinha unido um grupo de pais de escoteiros que podia dar suporte às atividades. Magalhães iniciou um trabalho para mostrar aos pais que quanto mais tempo o jovem permanecia escoteiro, mais ele se desenvolvia. E isso fez com que os pais se aproximassem do grupo e fez com que a mudança da sede, que poderia significar o fim das atividades, fosse apenas um percalço no caminho.


Acampar nos anos 70 era assim, com barracas sem forro, mesas construídas à mão e muita sede de aventura.

A quarta sede do Grupo, por um breve tempo em 1973, foi a antiga garagem da Região Escoteira do Paraná, na rua Ermelino de Leão, onde hoje é a Loja Escoteira. E até o fim do ano o grupo conseguia uma nova sede, dessa vez na Sociedade Thalia, na rua Comendador Araújo. O contato entre o Santos Dumont e o Thalia aconteceu por iniciativa de um pai de escoteiro, que era sócio do clube.


Garagem da União dos Escoteiros do Brasil (onde hoje é a loja), quarta sede do Santos Dumont.

Durante esses anos de Thalia, além das próprias atividades, o Santos Dumont também deu sua contribuição para manter vivo o Grupo Escoteiro Jorge Frassati, que já naquele tempo era o mais antigo ainda em atividade. O Frassati havia perdido sua sede, na Igreja Bom Jesus dos Perdões, na Praça Rui Barbosa. Nos hasteamentos e arreamentos de bandeira, as patrulhas remanescentes do Frassati formavam junto com as patrulhas do Santos Dumont e viam subir as bandeiras dos dois Grupos. O Frassati só voltaria a ter sede própria em 1978.


Sociedade Thalia, a quinta sede do Santos Dumont.

O período no Thalia marca também o fortalecimento do grupo, que passa a ter todas as seções e órgãos auxiliares como preconizava a União dos Escoteiros do Brasil. Os escotistas participam de diversos cursos de formação. A Comissão Executiva e a Comissão de Mães são criadas e se tornam decisivas para que o grupo consiga adquirir seu material próprio de acampamento. O número de jovens participantes aumenta e o grupo fica com duas alcateias, uma tropa escoteira, a tropa sênior e o Clã de Pioneiros.


Jovens do GESD participantes do Acampamento Distrital (Acamdis), de 1975

Em fins de 1977, porém, com a mudança da diretoria da Sociedade Thalia, aliado ao fato de a maior parte dos escoteiros não serem filhos de sócios, o grupo é convidado a se retirar do clube. Era mais uma mudança na história do Santos Dumont.

Depoimentos:

João Ângelo Belotto

Elson Pereira Magalhães

Mauro Edson Alberti

Iara Elizabeth Linzmeyer Kalinowski

Os Velhos Condores