GESD no JamCam 2020 – uma aventura inesquecível

O GESD participou com uma grande comitiva no JamCam 2020. Estivemos presentes com jovens nas tropas, com escotistas acompanhando os jovens e com muitos voluntários colaborando para o sucesso da maior atividade escoteira já feita no Brasil. E para contar como foi, vamos publicar três textos de quem esteve lá. Ah, não esqueça de clicar no link das fotos aqui! Como são muitas, não deu para publicar todas aqui. Boa leitura!

GESD no JAMCAM 2020 – um olhar dos jovens

Por Luana Pacheco Rodrigues da Cruz

JAMCAM! Um encontro de milhares de jovens, representantes de diferentes países, regiões, culturas, etnias e opiniões. Todos, porém, com um mesmo ideal: “deixar um mundo melhor para as próximas gerações”.

O 16º Jamboree Escoteiro Interamericano e 3º Camporee Escoteiro Interamericano ocorreu entre os dias 4 e 10 de janeiro. E não poderia existir lugar melhor para isso: uma das sete maravilhas do mundo, as Cataratas do Iguaçu e, junto com ela, a sua exuberante fauna e flora.

Só quem é escoteiro sabe as experiências e momentos vivenciados em uma semana de muitas aventuras e novos aprendizados. É inexplicável a felicidade de ter vivido esta experiência e cada um dos momentos como se fossem os últimos de nossas vidas. O calor, as noites mal dormidas, nada disso nos importou, já que a alegria e o espirito escoteiro foram maiores que qualquer dificuldade.

A criatividade escoteira também foi importante para que pudéssemos aproveitar ao máximo as atividades. O calor intenso foi amenizado com o simples uso do crachá que, em diversos momentos, se transformou em um ótimo leque. Está cansado? Qualquer canto foi utilizado para um cochilo rápido, o que garantiu que recuperássemos nossas energias para continuar as atividades… E assim conseguimos aproveitar mais os nossos dias, que passaram tão rápido, naquele templo sagrado.

Todas as atividades foram preparadas e pensadas com muito carinho para que pudéssemos, no dia a dia, nos tornarmos pessoas melhores.

As atividades noturnas, todas elas, foram incríveis e os momento de confraternização foram especiais. Sem dúvida serão lembradas para sempre.

De todo o aprendizado vivido e situações compartilhadas aprendemos que sempre teremos um amigo, um irmão escoteiro, por perto e com ele poderemos dividir nossos sorrisos ou nossas lágrimas.

Falando em amizade: muitas foram construídas no Jamcam. Qualquer lugar era lugar para conhecer alguém: na fila do banho, na fila das refeições, nas festas, nas confraternizações, nas atividades. O local realmente não importava, o que é realmente importante é que vamos lembrar com carinho de cada uma dessas pessoas, que trilharam conosco estes novos conhecimentos. Alguns vamos rever, já outros estão a milhares de quilômetros de distância, mas, como dizem, o que ficam são as memórias.

Então, ser escoteiro é muito mais do que ajudar as “velhinhas” a atravessar a rua ou vender biscoitos. Ser escoteiro é renascer a cada dia através de um novo aprendizado.

Ser escoteiro não tem explicação!

Só estando aqui dentro, para saber o que nós vivemos, o que nós sentimos.

É esperar o inesperado, e saber lidar com isso.

Ser escoteiro é força, é garra, é raça. Escotismo não se explica, se vive. Acima de tudo existe um laço chamado AMIZADE. Quem o possui é dono de uma riqueza sem fim….

GESD NO JAMCAM – um olhar dos voluntários

Por Tisa Kastrup, do Clube da Flor de Lis

Tic-tac, tic-tac. A contagem regressiva começa meses antes, às vezes até anos antes de um grande evento, seja ele nacional ou internacional. Jovens e adultos, novos no Movimento Escoteiro ou aqueles irmãos que já estão há décadas no ideal proposto por Sir Baden Powel, todos ficam ansiosos por um grande acampamento. E o JamCam Brasil 2020 não foi diferente.

O GESD participou com uma numerosa delegação de 54 jovens escoteiros e seniores, pioneiros, escotistas, coordenadores e equipe de serviço. Algumas inscrições foram feitas com mais de um ano de antecedência e planejamento é a palavra-chave para ir a um evento desse porte.

Como quase metade da delegação do GESD era composta por integrantes da equipe de serviço designados para as mais diversas funções, nosso ônibus partiu com três dias de antecedência a fim de nos deixar antes no campo. Enquanto isso, os jovens foram recebidos pelos irmãos do Grupo Escoteiro Guairacá em Foz do Iguaçu, para dois dias de passeios em sistema Ho-Ho (home hospitality) antes de seguirem ao JamCam. Foram os dois dias mais difíceis para administrar a ansiedade da garotada!

O tamanho e a organização do JamCam impressionam tanto quanto a variedade e a criatividade das atividades propostas nos módulos. Todos os jovens puderam participar de todos os módulos, em sistema de rodízio.

– Exploração da Natureza:

O cenário natural que motivou a escolha de Foz do Iguaçu para sediar o JamCam tornou-se figurinha carimbada em muitas selfies. Todos os participantes do evento, fossem jovens ou adultos voluntários em seu dia de folga (sim, ganhamos um dia de folga), tiveram oportunidade de conhecer esta maravilha da natureza: as Cataratas do Iguaçu. Os jovens partiam a pé do acampamento logo após o café da manhã, em curta jornada de 2 km pela mata e chácaras da região, até o Parque das Aves, refúgio de aves resgatadas do tráfico de animais silvestres e criadouro de espécies ameaçadas de extinção. Após a visita, embarcavam em ônibus fretados com guias turísticos locais e adentravam o Parque Nacional do Iguaçu, onde faziam a trilha panorâmica de 45 minutos pelas escadarias e passarelas das Cataratas. Na volta, relaxante parada para almoço (sanduíches, frutas, sucos e barras de cereal) e tchibum nas piscinas e toboáguas do Parque Thermas. Todos voltavam em ônibus ao final da tarde pois ninguém é de ferro.

– Energia:

Ofertando quase 50 atividades em terra, o módulo Energia ficava a 5 minutos do campo, para onde os jovens iam a pé, cruzando a Rodovia das Cataratas com a inestimável ajuda da Polícia Rodoviária Federal. Afinal, 1.500 jovens levam algum tempo para atravessar uma estrada e o bloqueio era imprescindível. Com o objetivo de motivar e desafiar as patrulhas, estas atividades criavam um ambiente estimulante, dentro de quatro tipos principais: jogos escoteiros tradicionais, atividades circenses, habilidades manuais e atividades de relacionamento. Com o sistema de entrega de chaves, as patrulhas escolhiam a atividade para qual desejavam ir. Arremesso de machadinha, cross scout, arqueria, fogo sueco, basquete na gangorra. Ao final, voltavam para escolher a próxima, conseguindo participar entre oito e 12 atividades num dia neste módulo, que tinha pausa para o almoço no Centro Escoteiro e terminava com um refrescante banho de caminhão pipa no fim da tarde, ótimo para tirar o excesso de lama!

– Splash:

Distante uns 20 km do Centro escoteiro, as calmas águas do Lago Itaipu ficaram vermelhas de tanto agito. Mais de 50 atividades desafiadoras à beira ou dentro da água foram oferecidas também pelo sistema de escolha de chaves, comandada pela Maderli e pelo Osmar Ponchirolli do GESD. Teve construção de embarcações, jogos aquáticos, boliche humano no sabão, corrida de botes e boias, cabo de guerra com água até a cintura e muita lama, que saía fácil nos mergulhos no lago. E dá-lhe protetor solar e chapéu para encarar o sol. Nas sombras do bosque próximo às margens, pausa para o almoço que era entregue também na forma de kit lanche, pois os jovens iam de ônibus de manhã e passavam o dia todo no ICLI – Iate Clube Lago de Itaipu, sob os atentos e cuidadosos olhares dos Bombeiros, da Marinha do Brasil e dos socorristas de plantão.

– Aldeia Interamericana de Desenvolvimento Sustentável:

As patrulhas participaram de atividades e oficinas dentro dos eixos temáticos: Ciência e Tecnologia, Arte e Cultura, Paz e Compreensão, Sustentabilidade e Saúde. O objetivo era propiciar aos jovens a descoberta das principais questões relacionadas ao desenvolvimento que o mundo enfrenta na atualidade, e assim compreender suas origens, consequências e o que a humanidade pode fazer para avançar. O foco principal foi dar aos participantes habilidades para atuar frente a essas questões em suas próprias comunidades. Educação financeira e empreendedorismo, tolerância religiosa, alimentação saudável e sem desperdícios, tecidos com cera de abelha, pontes sem pregos e sistemas de aquecimento de água via energia solar são amostras do que foi abordado na Aldeia, que ficava no entorno do Centro Escoteiro.

– Dia Interamericano:

As diferentes culturas dos 20 países presentes foram mostradas na Arena do Centro Escoteiro através de muita música, dança, folclore e comidas típicas. Cada país tinha seu estande e apresentava interativamente sua cultura. Os jovens puderam vivenciar a fundo o lema “diversidade que nos une” do JamCam durante a Feira das Nações. O estande do Brasil foi coordenado pelo GESD, através do Marcelo Margraf e da Isabela Oliveira. O Dia Interamericano terminou em uma grandiosa e animada festa, daquelas de sacudir o chão literalmente. Gostaria de ter mais informações e passar um relato mais detalhado sobre este dia, mas foi justamente a minha folga, que aproveitei relaxando por horas na piscina do Thermas, até enrugar a pele!

– Festa e diversão:

Além dos módulos, os jovens tiveram oportunidade de participar diariamente de Cerimônias e Atividades Noturnas (sim, teve muita festa no JamCam!) na arena central e também nos subcampos. Karaokê, folclore, dança, toda a criatividade era permitida, desde que o silêncio reinasse após as 23h já que escoteiro não dorme, escoteiro desmaia!

Já as Atividades Especiais, lideradas pela Larissa Terra do GESD, foram propostas para alegrar os momentos livres dos jovens desde a chegada aos subcampos. Sempre sobrava um tempinho entre o almoço e a saída do campo para um joguinho especial com a patrulha e os novos amigos.

– Comida e compras:

O refeitório fez o milagre de criar um “Madalosso” dentro de um acampamento, servindo diariamente mais de 24 mil refeições sempre de qualidade no café da manhã, almoço e jantar. Uma verdadeira maratona culinária que atendia inclusive celíacos, diabéticos, vegetarianos, veganos, alérgicos e intolerantes à lactose. Como o cardápio praticamente não variava, batia aquela vontade de se jogar numa guloseima. E bora encarar as filas na área comercial para gastar os trocados da carteira escoteira, valiosa contribuição da tecnologia na transformação de dinheiro virtual em potes de açaí, crepes e sorvetes reais. Isso sem contar na mega store de 1.000 m2 que a Loja Escoteira montou lá.

– Hospital:

Todos estamos sujeitos a imprevistos em atividades ao ar livre. Para todos eles, foi montado um hospital com 13 médicos, 6 dentistas, 30 enfermeiros, 40 socorristas (entre eles o Fábio do GESD), 3 ambulâncias de plantão (sendo uma delas UTI móvel) e 4 psicólogos no inovador Listening Ear, um canto para dar apoio emocional a quem precisava. Uma estrutura de fazer inveja a muito posto de saúde.

– Ahhh, mas já acabou?

Tudo isso culmina numa despedida pra lá de emocionada e emocionante. É um tal de chegar com o chapéu do Brasil e ir embora com o lenço do Peru, trocar um copo por um distintivo, levar um chaveiro e voltar com uma pulseira.

Vocês, pais que nos leem e nós, adultos voluntários, recebemos em agradecimento por tantas aventuras, novos amigos e muito conhecimento adquirido nestes dias inesquecíveis uma valiosa “paga” que vem em forma de sorrisos enlameados, abraços suados e lágrimas de felicidade, além de muita roupa suja pra lavar!

Prontos para começar a poupança para o próximo grande acampamento?

Minha Vida Escoteira

Por Helga Rozeira Zinher, do Clube da Flor de Lis

Estou no Movimento escoteiro desde os 17 anos, quando entrei já como assistente de alcateia. O JamCam Brasil 2020 foi o primeiro grande acampamento internacional da minha vida escoteira, embora tenha participado de algumas atividades regionais e distritais. E também da Conferência Interamericana, ocorrida em Curitiba em 1984 onde adultos do mundo todo participaram do encontro de planejamento do Movimento Escoteiro para as Américas.

Agora em 2020 tive a oportunidade, depois de 35 anos, de participar da minha 2.ª atividade internacional, o 16.º JAM 3.º CAM em Foz do Iguaçu. Foi uma experiência maravilhosa! Trabalhei na Equipe Internacional de Serviço na Aldeia Interamericana de Desenvolvimento Sustentável, onde participei da Oficina “Aproveitamento de Alimentos”. Lá os jovens aprenderam a fazer alguns alimentos salgados e doces, bem como sucos, usando ingredientes diferentes e aproveitando todo o alimento sem desperdício.

A oficina foi ministrada pela Pastoral da Criança, com a equipe das senhoras Regina, Karina, Leonilda e Sonia sob a coordenação da Marina. Foi um aprendizado incrível tanto com elas como com os irmãos escoteiros pois a convivência diária trouxe muito crescimento pessoal. As atividades transcorreram de maneira tranquila devido ao entrosamento da equipe da oficina e também pela brilhante atuação da coordenação local e geral das oficinas.

Também tive a oportunidade através deste evento de conhecer Foz do Iguaçu, o Parque das Aves, Thermas das Cataratas e as Cataratas, o que foi muito emocionante. Por fim, esta semana de atividade escoteira, conversas, baile, atividade na qual estive com irmãos escoteiros com quem tenho convivência direta, outros que revi e outros que conheci foi mais uma atividade incrível que deixou lembranças de cada momento.

E agradeço principalmente à Família Santos Dumont por poder participar deste movimento maravilhoso. Sempre Alerta!

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